Em alguns minutos a polícia chegou,
prendeu o homem e o levou para a delegacia. Como eu trabalhava como
repórter, fui até a cadeia fotografar o homem e fazer a matéria para o jornal. De
fato, ele estava roubando a tv. Prestei bem atenção na fisionomia dele.
Passaram-se alguns meses e o homem foi solto. Eu não sabia dessa informação. Um
dia alguém bateu palmas. O portão estava aberto. Quando abri a porta o homem já
estava na área de casa. Quase morri de susto. Era o ex-presidiário. Ele
disse: - preciso falar com o senhor. Meu coração disparou. Não tinha como não
pensar num acerto de contas.
Enquanto eu perguntava o que ele queria
tomei a decisão de ficar bem próximo dele.
– Vai que ele saca de uma arma e eu estando bem perto tento impedir,
pensei. Então ele disse: Eu acabei de sair da cadeia... – aí que o calafrio
aumentou. Mas para meu alívio ele continuou - eu preciso ir para Casa de Tábua
e não tenho o dinheiro da passagem. O senhor pode me ajudar. Graças a Deus! Eu
disse pra mim mesmo. Sem titubear, não pensei duas vezes. – Pois não amigo.
Meti a mão no bolso e lhe entreguei cinquentão. Ele agradeceu e foi embora. Fiquei
pensando o que me levou a tomar aquela atitude naquele dia de tentar prender o
homem. Será se foram àqueles cinco minutos... (de bobeira) que pode acontecer
de vez em quando com qualquer ser humano. Será? O que você me diz?

