domingo, 9 de junho de 2019

Ladrão sai da cadeia e quase mata repórter que o fotografou


Eram mais ou menos onze horas da noite. Eu me aproximava do portão da minha casa quando vi um cara caminhando com uma tv nas costas. Não tive dúvidas -  é um ladrão, pensei. E agora? O que faço? Deixo pra lá e finjo que não vi nada ou tomo alguma atitude? Tenho que fazer alguma coisa. Pode ser a tv de um vizinho. Não posso me acovardar. Aproximei do homem e lhe dei voz de prisão: - O senhor está preso! Eu não tinha algemas e nem arma. Não sei o que deu na minha cabeça. O homem me ignorou e seguiu caminhando. Me distanciei e comecei a segui-lo de uma certa distância. Peguei o celular e liguei no 190. Relatei o que estava acontecendo para a polícia. Passei a localização e continuei seguindo o homem.


Em alguns minutos a polícia chegou, prendeu o homem e o levou para a delegacia. Como eu trabalhava como repórter, fui até a cadeia fotografar o homem e fazer a matéria para o jornal. De fato, ele estava roubando a tv. Prestei bem atenção na fisionomia dele. Passaram-se alguns meses e o homem foi solto. Eu não sabia dessa informação. Um dia alguém bateu palmas. O portão estava aberto. Quando abri a porta o homem já estava na área de casa. Quase morri de susto. Era o ex-presidiário. Ele disse: - preciso falar com o senhor. Meu coração disparou. Não tinha como não pensar num acerto de contas.  
Enquanto eu perguntava o que ele queria tomei a decisão de ficar bem próximo dele.  – Vai que ele saca de uma arma e eu estando bem perto tento impedir, pensei. Então ele disse: Eu acabei de sair da cadeia... – aí que o calafrio aumentou. Mas para meu alívio ele continuou - eu preciso ir para Casa de Tábua e não tenho o dinheiro da passagem. O senhor pode me ajudar. Graças a Deus! Eu disse pra mim mesmo. Sem titubear, não pensei duas vezes. – Pois não amigo. Meti a mão no bolso e lhe entreguei cinquentão. Ele agradeceu e foi embora. Fiquei pensando o que me levou a tomar aquela atitude naquele dia de tentar prender o homem. Será se foram àqueles cinco minutos... (de bobeira) que pode acontecer de vez em quando com qualquer ser humano. Será? O  que você me diz?   

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